Sobre bebês, crianças e mordidas. O que fazer?

Você sai de casa radiante, com sua preciosidade, cuidadosamente segura na cadeirinha do carro e a deixa na porta da escola. Enche aquela bochecha rosada e fofa com muitos beijos e vai trabalhar. Ao voltar, algo tira o sorriso de seu rosto… ali, pra todo mundo ver, cravada naquele lindo rostinho, está a marca dos dentinhos de outra criança. Como pode? Como deixaram isso acontecer?  Um misto de indignação com o acontecido e dó pelo pimpolho sobem por sua jugular e a vontade é… pular no pescoço de alguém. Pior ainda é se a situação se repete, aí sai de perto.

Mamãe Papai, eu sei como é. Em seu primeiro ano de escolhinha, minha filha levou uma dentada na testa que os avós quase pegaram as MINHAS costelas pra fazer o churrasco do domingo. Explico: é que além de mãe sou professora na escola em que a doçura em questão estuda. Um tempo depois a doçura revidou e deixou a sua própria marquinha… ai… Tive a triste oportunidade de vivenciar o desagradável fato tanto como mãe, como professora.

A fase das mordidas

Bom, uma coisa é certa, a fase das mordidas é desagradável, precisa de atenção por parte dos adultos, mas quando trabalhada dentro de uma educação positiva, será apenas isso: uma fase.

Na maioria dos casos, as situações envolvendo mordidas, ocorrem por volta dos dois anos, podendo começar um pouco antes e rarear com três anos. Nesta fase a criança está começando a aprender a se expressar e se relacionar com o mundo, seu vocabulário costuma ser limitado e ainda não compreende tudo aquilo que está sentindo.  Nesta realidade, muitas crianças lidam com os acontecimentos que não entendem, ou que a irritam como se estivessem em um churrasco e todo mundo vira picanha.

Segundo a Psicóloga e amiga, Carolina Marcondes Formaggio, nem sempre a mordida é uma agressão por parte da criança. “Para algumas crianças é uma demonstração de amor. Principalmente quando os pais dão aquelas “mordidinhas de amor”, afirma Carolina. É  importante lembrar também que, nessa idade a criança encontra-se na fase oral. É através da boca que sente prazer. Ao morder, observa também a reação do colega e das pessoas ao redor. Começa a testar… será que consegue aquela reação novamente?

Como lidar?

Pais e educadores, devem estar atentos para mapear os fatos que costumam desencadear o processo e ainda aproveitar para educar a afetividade de seu filho(a) ou aluno(a).  Situo a educação da afetividade aqui como um processo de ajuda à criança para que se conheça  e conheça tudo aquilo que a afeta, seja no âmbito emocional, físico ou social. Aos poucos, o adulto deve mostrar que a linguagem é o meio mais adequado de expressar aquilo que quer e/ou sente. Quando for possível é interessante dar nome ao que a criança estiver sentindo ou querendo, com muita clareza. Ela ainda não sabe nomear aquilo que a incomoda…

É necessário verificar, quando a mordida acontece ou está para acontecer se a criança está com todas as suas necessidades básicas atendidas (fome, sede, sono, etc.), se está passando por alguma situação emocional tensa (separação dos pais, falecimento, etc.), se atividade está de acordo com suas possibilidades, se a criança está entediada.

Tive um aluno, um doce de criança, que antes de um ano e meio, estava desenvolvendo o hábito de deixar a marca de sua incompleta arcada dentária, passear pelos bracinhos dos colegas. Para conseguir desvendar o que estava acontecendo e evitar que fizesse outras vítimas, grudei nele. Algumas vezes fiz isso de forma física mesmo. Ficava de mãos dadas e quando ele queria desvencilhar-se explicava que era uma pena mas que enquanto estivesse a machucar os amiguinhos teria que ficar ao lado da professora. É claro que ele não gostava, coisa mais natural! Fomos feitos para sermos livres! Outras vezes grudava meus olhos nele e o observava. Descobri que quando estava muito cansado, bastava uma criança se exaltar no outro lado da sala e ele já abria sua boca com poucos dentes e se colocava rapidamente na direção da sua próxima vítima. Assim evitei a mordida e aprendi que devia dizer-lhe, com muito carinho e poucas palavras, que o que estava sentido era sono. Dito e feito! Ele dormia por mais ou menos uma hora e acordava um verdadeiro vegetariano. Bom, pelo menos até o final daquele dia.

Atividades que prendam a atenção da criança ajudam a evitar estas desagradáveis situações. Tanto na escola como em casa (com irmãos, em festas ou encontros), se a criança fica longos períodos sem uma atividade adequada à sua idade, as mordidas podem acontecer.  Isso não quer dizer que  a pessoa que estava com a criança não cuidou direito. Muitas vezes pode acontecer logo ao lado da professora, por exemplo, no momento em que esta acabou de virar para atender um outra criança. Apesar disso, as ocorrências devem diminuir, novas estratégias devem ser planejadas e um diálogo a respeito do assunto, entre família e escola deve estar aberto. Entretanto os pais devem estar atentos se seu filho levou muitas mordidas de uma vez. Isso pode ser indício de que estava sem um responsável acompanhando suas atividades.

Bom… se seu(a) filho(a) está passando por esta fase, ajude-o a compreender seus sentimentos e a expressá-los da maneira correta. Mantenha um diálogo com a escola. Se seu(a) filho(a) está sendo vítima, nunca ensine-o a revidar, mas a se defender e procure se informar sobre as providências que a escola está tomando. Firme! … uma hora o churrasco acaba….

E você, já viu seu filho com uma dentada? Ou seu filho acha que todo mundo é mordedor?http://www.paisqueeducam.com.br/2014/04/28/sobre-bebes-e-mordidas-o-que-fazer/

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Os presentes que os filhos nos dão

Semana passada, acabei saindo atrasada da escola para pegar minha filha mais nova na minha mãe. Eu estava toda afobada, ia o pegar trânsito pior que de costume, estava irritada, enfim queria sair logo. No meio de tudo isso , Maria Clara, minha filha mais velha que estava comigo, lembrou do sorvete, que havíamos combinado no dia anterior. Bom,  eu não estava com humor para ter que parar  no meio do caminho e atrasar mais para comprar um picolé de morango. Porém… eu havia prometido. Fiz um esforço, engoli minha colossal falta de paciência e fui comprar o vermelhinho no palito. No caminho da volta, fiquei satisfeita comigo mesma. Minha tendência natural seria desconversar e quebrar com nosso combinado. Mas que tipo de coisa estaria ensinando à minha filha? Mentir? Que quebrar promessas é normal? Que a palavra da mãe pouco vale? Não! Não era isso que eu queria. Eu ainda estava com pressa e minha “epifania educacional” não diminuíra a intensidade do trânsito, no entanto o mal humor estava começando a ir embora. Cheguei até ela que me olhava ansiosa e sorrindo. Foi gostoso dar o picolé pra ela. Entrei no carro e voltamos ao nosso caminho. Em um instante escuto: “Eu gosto de você, mamãe!” Meu coração começou a derreter, porém, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ela completa: “…mas gosto mais do sorvete.” Rá.   E assim minha filha despachou o meu mal humor. Tive que rir da sinceridade da pimpolha e ficar contente comigo mesma por ter mantido a palavra.

O que é ser mãe?

Quando uma criança nasce, ela já traz consigo um presente para sua mãe. Traz a oportunidade de, através dela e por causa dela, essa mãe escolher ser uma pessoa melhor. Ser mãe é uma escolha carregada de muita responsabilidade. Não é algo que se cumpre para dar um “ok” em uma lista de “coisas a fazer”, mais ou menos colocada entre terminar uma faculdade, conquistar um cargo e ter o reconhecimento da sociedade. A criança não pediu para estar ali. No entanto ela merece e precisa que essa pessoa ocupe e desempenhe o papel que escolheu ter.

Ser mãe não é um título. Não é uma responsabilidade delegável (muito embora muitas mulheres e famílias escolham delegar, com resultados desagradáveis). Ser mãe é reconhecer que aquele ser humano que está ali é dependente do seu sorriso de aprovação, do seu afeto , da sua presença, dos seus conselhos, enfim, de tudo aquilo que você é e luta para ser. Você pode até não ter paciência suficiente, organização suficiente, tempo suficiente, entre tantas outras coisas super escassas nos dias de hoje. Porém, seu filho precisa que você lute nessas coisas. Ele precisa sentir, saber que apesar de não ser perfeita, sua mãe luta para ser cada dia melhor por ele e por ela mesma.

Sempre quis ser mãe. Quando tinha uns 6 anos minha avó perguntou o que eu queria ser quando crescesse. A resposta veio fácil : “mãe”. Que médica, astronauta, o que! Eu queria ser e fazer a mesma coisa que eu via na minha heroína! Um heroísmo diário, de pequenas grandes coisas, um anonimato célebre. Minha mãe é perfeita? Não. Minha mãe luta.

Ser uma mãe que ama, que realmente educa é agarrar a oportunidade que nossos filhos trazem juntos de si. Todos os dias irão nos apresentar novas situações para que possamos escolher deixar o egoísmo de lado, para que nos desprendamos de coisas aparentemente importantes, para que lutemos contra nossas fraquezas. Nem sempre isso será fácil. Nem sempre as demonstrações de amor virão enfeitadas com um baita sorriso.

Tenho um exemplo disso. Ano passado minha filha, Helena, nasceu. Dez de maio. Nos meses que seguiram, Curitiba recebeu um inverno de congelar os ossos. Alguém aí consegue imaginar se eu acordava super animada, estampando um sorriso às 03h da madruga, com sensação térmica de -9o.C, para amamentar?? Não… não era “simplesmente” ter que sair da cama quentinha.  Delícia, né?

Bom, aqui posso afirmar, citando Javier Echevarría e Ricardo Yepes Stork  que ” o amor não é um sentimento, mas um ato da vontade, acompanhado de um sentimento (…) , o sentimento é algo que nosacontece. (…). O amor sem sentimento é mais puro e se concentra no amado”(STORK; ECHEVARRÍA,Fundamentos de Antropologia- Um ideal de excelência Humana, pg199, 2005). Os autores ainda afirmam que o sentimento que acompanha o amor pode ser chamado de afeto, que é sentir que se quer bem. O afeto produz a familiaridade, proximidade física. Nasce do trato com o amado e o trato convida ao crescimento do afeto. “Mas além de afetos, o amor tem efeitos: manifesta-se com atos, ações que atestam sua existência (…). Os afetos são sentimentos; os efeitos são obras da vontade”. (STORK, ECHEVARRÍA).

O amor faz com que aprendamos a educar nossa vontade. Aprender a “querer, querer”. O amor, livre de amarras, faz com que procuremos ser uma pessoa melhor. Mesmo que me custe, pois disso depende a felicidade da pessoa que gerei, ou que escolhi ter para mim como filho.

Nesse Dia das Mães, vamos aceitar o maior presente que nossos filhos podem nos dar que é a própria vida deles. Seu filho está difícil, irriquieto, anda mal nos estudos? Fique mais com ele, se doe.Aceite o presente, melhore como pessoa. Você colherá bons frutos. Tanto em você quanto em seu filho.  E fique tranqüila se escutar que o pimpolho gosta de você … mas que prefere o sorvete…

http://www.paisqueeducam.com.br/2014/05/05/os-presentes-que-os-filhos-nos-dao/

Por quê Escola de Famílias?

Família é uma das coisas que mais amo neste mundo. Acredito, de corpo e alma, que é através dela que podemos fazer um mundo melhor e não, não acho isso pieguice.

É na família que aprendemos, ou não, a sermos honestos, caridosos, a termos coração grande. Na família temos a chance de sermos aceitos incondicionalmente como somos e de retribuir essa aceitação. Acredito que está na família a semente de um mundo mais humano. Mas também acredito que isso só acontece, na maioria das vezes, se os pais são os protagonistas do núcleo familiar e reconhecem a importância de seu papel. Para estes pais a família é aempresamais importante de suas vidas. Por ela tiram força lá de dentro da carcaça cansada para se aprofundar e estudar em como ser pais melhores.

Espero que este seja um espaço para que a família possa melhorar, possa estreitar suas relações e reforçar seu papel, tanto para aqueles que a compõe quanto para a sociedade da qual ela faz parte, através de reflexões, debates, sugestões, dicas. Tudo o que for possível para tornar mais forte aquilo que dá base à sociedade: o ser, verdadeiramente, humano.

Sejam bem vindos!